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CRISTO E O MERCADO GOSPEL - Por Joézer Valvassori

CRISTO E O MERCADO GOSPEL - Por Joézer Valvassori

CRISTO E O MERCADO GOSPEL

 

É fato notório que grande parte dos cantores, bandas e pregadores hoje populares do mundo gospel só atendem os convites recebidos com a condição de que – após receberem antecipadamente o valor do cachê por eles estipulado – sejam cumpridas uma série de exigências que, muitas vezes, chegam a ser surpreendentes até mesmo para os padrões seculares.


Por outro lado, não podemos deixar de lembrar do exemplo de Cristo Jesus. Sendo Ele próprio o Unigênito Filho de Deus, o único que poderia salvar a humanidade da condenação eterna, estava em uma posição que certamente Lhe permitiria fazer qualquer exigência para vir a esse mundo. Mas, ao contrário dos artistas e estrelas do mundo gospel, vemos na atitude do Filho de Deus que deixou Sua glória no céu, total abnegação, humildade e simplicidade.


Muitos cantores e pregadores não aceitam convites para ir a pequenas cidades, alegando que nelas não há aeroporto, e que eles não poderiam ir até lá de carro, como fazem os demais mortais. No entanto, de 

acordo com as Escrituras, de todas as cidades pomposas do Império Romano, o Messias nasceu na pequena cidade de Belém, um diminuto vilarejo da Palestina. É curioso também que, enquanto muitos artistas e pregadores famosos exigem hospedagem em hotéis 5 estrelas, para Jesus, o Criador do universo, não havia lugar na estalagem, e o Rei dos Reis nasceu em uma simples estrebaria, onde ficavam os animais, local que seria considerado indigno para hospedar qualquer ser humano. Em lugar de um berço confortável, o Cristo foi colocado em uma manjedoura, ou seja, um tabuleiro onde eram alimentados os animais.


Os figurões do mercado gospel defendem a manutenção de seus altos cachês dizendo que são “filhos do Rei”, e ainda que precisam manter seu elevado padrão de vida, pagar as contas etc. No entanto, ao contrário destes que exigem dormir confortavelmente em camas do tipo king size, Jesus afirmou claramente a alguém que queria segui-lo: “as raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.” (Lc 9:58).


Enquanto muitos desses mercenários só viajam se for na primeira classe, Cristo percorria a pé as cidades e vilarejos, anunciando o evangelho, curando enfermos e expulsando demônios, envolvendo-se e demonstrando grande compaixão pelas multidões (Mt 9:36). 


Alguém consegue imaginar Jesus dizendo: “Eu orarei por você, mas somente depois de receber meu cachê”? Jamais! Essa nunca foi a atitude de nosso Senhor! No entanto, os mercadores da fé evangélica não saem de casa para pregar, testemunhar, orar ou supostamente “adorar” enquanto não houverem recebido integralmente o cachê por eles mesmos estabelecido!


Os pop star evangélicos querem e exigem – para seus espetáculos religiosos – guarda-costas, camarins climatizados, hotéis 5 estrelas, os melhores restaurantes, passagens na primeira classe e muitas outras regalias. Não se misturam com o povo, pois acreditam estar em um patamar superior. Ao contrário do que nos ensinou Jesus, querem ser servidos e não servir os irmãos.      

É tempo de acordarmos! Cristo avisou que eles viriam: “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos.”(Mt 7:15 e 16). A expressão usada por Jesus é de precisão cirúrgica: eles são devoradores! Muitos estão repreendendo o que pensam ser espíritos devoradores em suas finanças, mas patrocinam e alimentam deliberada e voluntariamente os lobos devoradores a respeito dos quais Cristo já nos advertiu! Logo após falar sobre esses lobos, o Mestre afirma que “nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.” (Mt 7:21).


Não basta pregar, cantar, expulsar demônios e até mesmo realizar milagres (Mt 7:22) “em nome de Jesus”. É preciso ter compromisso verdadeiro com o Cristo vivo e com os princípios imutáveis de Sua Palavra, vivendo de maneira coerente com o exemplo do Mestre, afinal, “Aquele que diz que está nEle, também deve andar como Ele andou.” (1 Jo 2:6). Pelos frutos – ou seja, atitudes, comportamento e postura – é que devemos identificá-los. O que esses aproveitadores e exploradores da fé evangélica praticam Jesus chama de iniquidade (Mt 7:23). 


Diferentemente do que fazem as massas ensandecidas, Cristo não aplaudiu os comerciantes do templo – pelo contrário – o Mestre derrubou suas mesas e cadeiras e “expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo” (Mt 21:12). Não sejamos cúmplices daqueles que estão transformando a casa de oração em um covil de ladrões (Mt 21:13). Tais homens “têm a mente corrompida, pensando que o evangelho é fonte de lucro” (1 Tm 6:5). Ao contrário destes, “você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso e busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão.” (1 Tm 6:11).


Definitivamente, a mensagem do evangelho não é e nunca foi para promoção e sucesso pessoais, para se criar uma casta especial de artistas e líderes privilegiados, aplaudidos e idolatrados pelos crentes, como – infelizmente – ocorre hoje no mundo gospel. Longe disso, a postura de todo verdadeiro discípulo de Cristo deve ser semelhante à de João Batista, que dizia: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:30).


Por Joézer Valvassori

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