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Discipulado

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“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.”

Mateus 28.18-20

Nesse texto aprendemos muito sobre discipulado. Vamos tentar responder algumas perguntas sobre esse tema, usando esse texto como inspiração.


O que Jesus mandou fazer?

Jesus mandou fazer discípulos.


Como faz um discípulo?

Indo, e pregando o evangelho para as pessoas.

Batizando as pessoas que aceitaram a palavra.

Ensinando esse novo discípulo a obedecer todas as coisas que Jesus ordenou.


Quais são todas as coisas que Jesus ordenou? O que ensinar aos discípulos? É algo infinito? É a Bíblia inteira?

Nesse aspecto tem acontecido muitas falhas, e não se tinha uma visão panorâmica do que é necessário ensinar. Não se tinha um corpo de ensinamentos definido, com começo, meio e fim; e o improviso semanal era o mais frequente. O que mais tem acontecido são sermões que apontam para conseguir um efeito imediato de uma boa reunião. Com os textos da Bíblia se pode fazer combinações infinitas, e assim, entreter a congregação por anos sem chegar a ensinar tudo o que realmente é necessário aprender.


As escolas dominicais, institutos bíbicos, e seminários teológicos tem sido mais de informação do que edificação, apontando para uma formação intelectual e acadêmica, e não à formação do caráter e serviço.

Jorge Himitian, pastor na Argentina, conta que havia terminado o instituto bíblico e começado uma obra em um bairro de sua cidade, e de tudo o que havia aprendido nos 4 anos de estudo, ele não sabia definir o que ensinar as pessoas que haviam se convertido.

Existe a ideia generalizada entre os cristãos de que temos que ensinar toda a Bíblia. Ainda que todos responderíamos “amém” a esta declaração, pois toda a Bíblia é divinamente inspirada e útil para ensinar, e apesar disso, faremos muito bem em diferenciar o útil do indispensável.

A Bíblia é um livro muito extenso, é uma biblioteca na realidade, e se pensarmos que nosso trabalho é ensinar toda a Bíblia se tornaria algo interminável. Seria muito útil conhecer as histórias de Josué, os juízos de Deus contra a Babilônia ou quantos Reis teve Israel, mas não indispensável. Ensinar toda a Bíblia não foi necessariamente o programa de Jesus e dos apóstolos. Quando Paulo disse aos presbíteros de Éfeso “jamais deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (Atos 20.27), acaso queria dizer que ele ensinou toda a Bíblia? Paulo tinha bem claro que “todo o conselho de Deus” era algo finito, com começo, meio e fim. Ele havia ensinado a Igreja de Éfeso todo o conselho de Deus em 3 anos (Atos 20.31).


Nos cabe o advertência de Jesus: “os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz.” Lucas 16.8


Repare que na faculdade existe uma grade curricular bem definida, com começo, meio e fim. Nessa grade tem teoria com ensino progressivo, provas, laboratório, trabalho em grupo, pesquisa, estágio e treinamento. O aluno recém matriculado, ao terminar os cinco anos de estudo, está pronto para o mercado de trabalho. E nós, líderes na igreja, não temos clareza do que devemos ensinar; o improviso é o mais frequente.


Eu carrego comigo um corpo de ensinamentos, que considero verdades revestidas de um caráter fundamental; as quais são suficiente para levar um discípulo novo convertido até sua maturidade na fé: propósito eterno de Deus e a queda do homem; a vida e obra de Jesus; porta, caminho e alvo; o evangelho do Reino de Deus; comunhão com Deus; vida da Igreja; fundamentos da fé; princípio de autoridade e submissão; família, projeto de Deus; critérios para o namoro cristão; administração de finanças; cura da alma; dons e ministérios.


Discipulado é grupo de estudo bíblico?

Discipulado é uma paternidade espiritual.


“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pelo mandato de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, nossa esperança, a Timóteo, verdadeiro filho na fé, graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor.”

1 Timóteo 1.1-2


Qual o objetivo do discipulado?

Formar o caráter de Cristo nos discípulos.


“o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo;”

Colossenses 1.28


Usamos o ensino para cooperar na formação dos discípulos, e apesar disso, discipulado não pode se tornar um grupo de estudo bíblico. Discipulado é um vínculo, um relacionamento de pai na fé, cooperando na formação do discípulo; e para isso, usamos como uma ferramenta, o ensino.


Como ensinar?

Tenho dito que precisamos trabalhar com 3 princípios na formação dos discípulos: comunicar, executar e corrigir. 

Só porque comunicamos bem a vontade de Deus para o discípulo, ainda que ele tenha entendido bem, não é garantia que ele vai aplicar bem em sua vida, aquilo que aprendeu. Após a comunicação, precisamos ajudá-los a executar a vontade de Deus no seu dia a dia. Mas só porque ele está executando o que aprendeu, não significa que entrou no trilho como um trem a andar sozinho sem precisar de correções. O discípulo precisa ser acompanhado e, sua caminhada para não sair do trilho. Discipulado não se resume em somente comunicar a vontade de Deus, precisamos trabalhar na execução e correção na vida dos discípulos , para que o caráter de Cristo seja formado neles. 


Que sejamos Corpo, bem ajustado, consolidados, totalmente ligados, unidos em amor, segundo a justa cooperação de cada parte!


“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.”

Efésios 4.15-16


Jesus Cristo é o Senhor,

Márcio Torres.

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