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O LÍDER DE LOUVOR PODE FAZER ALGUÉM ENTRAR NA PRESENÇA DE DEUS?

O LÍDER DE LOUVOR PODE FAZER ALGUÉM ENTRAR NA PRESENÇA DE DEUS?

O LIDER DE LOUVOR
PODE FAZER ALGUÉM ENTRAR NA PRESENÇA DE DEUS?






 



“Portanto irmãos, temos ousadia para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de
Jesus, Pelo novo e vivo caminho que ele nossa abriu por meio do véu, isto é, do
seu corpo
.“ (Hebreus 10:19,20)



Ao meditar neste texto com mais
atenção e dedicação, percebi que por muito tempo tive um entendimento um pouco
equivocado quanto ao nosso papel na liderança do louvor e adoração
congregacional.



Lidero momentos de louvor na
igreja local já há alguns anos e confesso que por muito tempo pensei que umas
das minhas maiores, senão a maior, responsabilidade era levar à congregação à
presença de Deus em adoração. Pensava que, enquanto liderávamos, estávamos com
a responsabilidade de, por meio de minha condução, da meus talentos e músicas
escolhidas, levar adoradores à maravilhosa presença de Deus.



Ao compreender melhor, com
auxílio do Espirito Santo, o texto de Hebreus 10, além de outros textos como
Romanos 5:17-21 e João 14:6, e, aplicando à nós músicos e líderes de louvor e
adoração, percebi que havia entendido um pouco equivocado essa nossa atribuição
no momento em que conduzimos o período de louvor (musical).



Conclui que, definitivamente, não
podemos levar ninguém à presença de Deus, e o pior, que às vezes queremos nos
colocar como sumo sacerdotes da velha aliança, ou seja, intermediários, ou até achamos
que nossa música irá levar à igreja aos Santo dos Santos. Vou explicar melhor a
seguir.



Sabemos que no Antigo Testamento,
ou na velha aliança, nenhum adorador, por mais correta que fosse sua vida ou
mais sincero que fosse seu coração, teria a ousadia de entrar no Santo dos Santos
(representando a presença de Deus), esse privilégio ou responsabilidade era
ultra restrito, sendo apenas do sumo sacerdote e, ainda assim, somente uma vez
por ano. Um véu (cortina de tecido) separava o Santo dos Santos para que, com
exceção desse sumo sacerdote, ninguém ali entrasse.



O texto de Hebreus 10:19
inicia-se com a conjunção conclusiva: “portanto”, utilizada para indicar a
conclusão de uma ideia anterior, que seria a afirmação de Jesus como o Sumo
Sacerdote perfeito e Seu sacrifício como o sacrifício definitivo, não havendo
mais necessidade de um sacerdote que oferecesse anualmente um sacrifício para
nossa adoração. Continuando no versículo 19, o escritor de Hebreus afirma que
hoje temos a ousadia ou intrepidez para entrarmos na presença de Deus para o
adorar. A palavra traduzida aqui para intrepidez (parrêsia) é a confiança que o homem passa a possuir por meio da
liberdade que hoje adquiriu por causa de seu novo relacionamento com Deus. Isso
por consequência da obra redentora de Jesus Cristo, por meio de seu sangue
derramando de uma vez por todas por nossos pecados. Somente por meio de seu
sangue, hoje, os verdadeiros adoradores podem entrar na presença de Deus, e
mais que isso, Deus vem habitar em cada um.



Hoje vemos que muitos de nós
líderes indiretamente (ou intencionalmente) achamos que somos intermediários
(no lugar de Jesus), nos colocando no caminho (como que por nosso mérito) entre
àqueles que chegam para adorar e o próprio Deus. Acreditamos que, por meio de
nossos ofícios e ministério, podemos ou temos a responsabilidade de aproximar
os adoradores de Deus. Fazendo isso anulamos a obra de Jesus em nosso favor e
em favor de todos àqueles que desejam se aproximar da presença de Deus.
Precisamos entender que o único meio de alguém se achegar a Deus é Jesus e sua
obra de redenção.



É claro que não fazemos isso de
propósito (pelo menos acredito que a maioria dos líderes não o faz). Creio que
o que se deseja é que a congregação adore a Deus e entre em Sua presença. Nos
esforçamos para isso: preparamos o melhor repertório possível, ensaiamos bem,
oramos, pedimos para as pessoas levantarem as mãos na hora do louvor, abrirem o
coração para Deus, cantarem bem alto, citamos versículos, etc. Quem nunca ouviu
(ou falou) a famosa frase: “Esqueça tudo ao redor e concentrem-se em Deus”? Imaginamos
que assim entrarão na presença de Deus. Mas, vemos através de Sua palavra que
somente por meio do sangue de Jesus que qualquer pessoa poderá entrar na
majestosa, doce e incomparável presença de Deus.



Se não podemos levar ninguém a
presença de Deus, qual a nossa maior responsabilidade então como líder de
louvor e adoração nesse processo? A mesma que temos em qualquer outro
ministério que exercemos: devemos apontar para aquele que é o caminho à
presença de Deus, Jesus. Devemos apontar para o meio pelo qual o véu do Santo
dos Santos se rasgou e nos reconciliou com Ele de uma vez por todas, seu
precioso sangue derramado na cruz do calvário. Precisamos evidenciar a vida e a
obra de Jesus. Precisamos refletir Jesus em nós em tudo o que fazemos. Ele é o único
caminho, a verdade e a vida. Ninguém pode chegar a Deus se não for pelo único caminho
que é Jesus (João14:6). Ninguém adora a Deus se não for em verdade (João 4:
23), e a verdade é Jesus. Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de
novo, morrer para si mesmo e receber a vida eterna, e essa vida é o próprio
Jesus (João 3:3).



Podemos ser músicos ou líderes de
louvor, mas primeiramente somos representantes de Cristo (II Coríntios 5:20).
Fomos crucificados com Cristo e hoje Ele vive em nós (Gálatas 2:20). Tudo
depende dEle, mas muitas das vezes estamos tentando fazer com que as pessoas se
acheguem a Deus por nosso mérito, esquecendo que é somente por meio de Jesus. Temos
o ministério da reconciliação, conforme Paulo bem explica em II Coríntios 5,
dos versículos 11 em diante, mas está claro no texto que a obra e o mérito é de
Jesus, fomos reconciliados por meio dEle (II Cor 5:18) e hoje somos apenas
instrumentos para suplicarmos que somente por amor a Cristo, as pessoas podem
se reconciliar com Deus.



Durante o período de louvor,
preciso ter isso em mente. Preciso saber que não é a minha bela voz, a minha
música, o talento musical ou minha desenvoltura que levará alguém a presença de
Deus. Preciso apontar sempre para Cristo e depender de Sua vida em mim, pois Ele
é quem dá a confiança que todos precisam para entrar na presença de Deus. Através
de nossa liderança no período de louvor, devemos levar nossas congregações
ao verdadeiro entendimento de quem Jesus é, pois assim reagirão de acordo com
esta revelação e então o período de louvor será fruto de corações que O adoram
verdadeiramente, de pessoas que estão em Sua presença, não por minha causa, mas
por causa de Jesus. 


Daniel Lucas (Vitória/ES)

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